
Situações diferentes, ou no mínimo “cabulosas” todos já passaram, mas esta que vou descrever agora nem eu consegui uma denominação adequada, quem sabe você ao final do texto possa me ajudar a denominada.
Esse é um fato verídico que aconteceu comigo, não me lembro ao certo se foi no extremo fim do ano passado ou se foi no inicio deste ano, o fato é que durante as férias de fim de ano eu passei fazendo plantões em uma clínica veterinária, e atendemos um filhote de pastor belga, onde somente eu retirei 27 ferrões de abelha áfrica de uma das orelhas do ´pobrezinho, a veterinária tirou mais dez da mesma orelha e mais inúmeros ferrões da outra orelha, a qual ela não fez questão de contar.
O pobre animal chorou a noite inteira, sem mentiras, eu não dormi 20 minutos seguidos, o cão chorava, gritava, e todas a s medicações que poderiam ser feitas já tinham sido feitas, no outro dia, o pobre do Doug, eu no caso, estava um bagaço...
Subi uma ladeira de 45º de inclinação ao ponto de ônibus... que por coincidência cotidiana perdi por pouco, e enquanto esperava o próximo, parou um ônibus de um bairro lingícuo chamado “Moreninhas” de onde desceu uma velhinha... daquelas q parece ter uns 95 anos e até anda meio inclinadinha sabe?
>> Bom dia jovem...você pode me ajudar a atravessar? – Disse a “simpática velhinha”
É nessa hora que você não sabe se seu cansaço fala mais alto que a sua educação, mas já tava orto mesmo, até a esquina que mal iria fazer....
>> Tudo bem senhora.... e lá fui eu, com a velhinha segurando no meu ombro e ambos indo em direção a esquina, em passos de tartaruga, 1º porque eu não estava na melhor das condições e 2º que eu estava com uma velhinha né? Daí dando aqueles passos vagarosos ela me disse:
>> Você está com pressa??
>> Não senhora, fique à vontade! (Me arrependo profundamente desta minha expressão)
>> Ah, então você vai me levar lá na onde eu quero ir! – Disse sem rodeios a velhinha.
>> HAN oO??? Disse eu com aquela cara de que “o que você quis dizer com isso?” >>Mas aonde a senhora que ir?
>> Não se preocupe, quando estivermos chegando eu lhe aviso!
Aff, nessa hora ela acelerou o passo e eu meio que rindo por dentro comecei a observar em volta, só pode ser pegadinha!
>> Mas é aqui perto que a senhora quer ir? Aonde é? – Poxa, eu tinha que insistir né!
>> É na casa de uma japonesa que eu trabalhava e ela nunca mais me ligou, e você jovem, tem doméstica em casa?
Nossa, sinceramente, aquilo não podia estar acontecendo comigo, andamos duas quadras e meia na horizontal, na mesma rua em que estávamos e começamos a subir a bendita ladeira...meus k]joelhos estavam tão doloridos pela noite mal dormida e pela subida que quem queria andar lentamente agora era eu!
>> Você tem café? – a velhinha falou!
Não, nessa hora foi pra acabar, eu com uma mochila pequena, daquelas de apenas uma alça ia conseguir carregar uma cafeteira, e outra, juro que nessa hora eu já haavia começado a pensar que essa velhinha estava me levando pra algum lugar onde eu seria seqüestrado, eu não acreditava que eu estava passando por aquela situação...
Eu disse que não tinha café, lógico! Mas daí comecei a conversar com a velhinha, ela me disse que morava sozinha mesmo naquele bairro muito distante, que morava sozinha, todos da família dela já haviam ido embora....
>> Olha como meu braço esta inchado!
>> Não não esta inchado não, impressão sua Dona Dejanira... – esse era o nome que ela disse ter.
>> Eu quero ir ao banheiro! – ela disse.
>> Quando a senhora chegar a casa da tal japonesa, a senhora pede pra usar o benheiro!
Continuamos a subir a ladeira, cada passo meu era um esforço incondicional, ela dizia que hoje os jovens não ajudam os idosos, que não sabem o dia de amanha até que ela parou e falou:
>> Eu não agüento mais, preciso de um banheiro!
Aaaahhh Meu Deus, o que eu ia fazer agora??
>> Jovem, bata em alguma casa e eu quero usar o banheiro!
Nossa, que situação, eu toquei a primeira campainha que vi na frente, mas toquei rapidão sabe? Pra não dar tempo de ninguém vir atender, mas não adiantou, logo saiu uma moça e disse: Pois não? Daí eu disse:
>> Bom dia, essa senhora precisa usar um banheiro!
Daí descemos a escada e a mulher mostrou o banheiro para a Dona Dejanira, mas eu falei que não fazia idéia de quem aquela senhora era, que não sei aonde estávamos indo.. logo que saiu do banheiro a Dona Dejanira pediu café, que não tinha, e saímos... Na saída, quando estamos subindo uma escadinha, o que vejo do outro lado da rua? Solto, um Pitt Bull enorme, sem coleira e sem ninguém por perto, eu acho que nessa hora fiquei mais branco do que já estava, minhas pernas doloridas devem ter tremido, e como eu ia sair com uma velhinha na rua com um Pitt Bull solto, que poderia atacar a ambos, ia matar a velhinha e o que eu ia dizer a polícia, não, realmente me custava acreditar que aquilo estava acontecendo...tive que esperar o cachorro ir bem longe para sairmos e atravessarmos a rua...
Atravessando a rua, a Dona Dejanira inclina a cabeça pra cima, acelera o passo em direção ao outro lado da rua... Batendo palmas e dizendo:
>> Moço, moço, o senhor tem um pouco de café? Moço.... Moço, o senhor tem café ai? Ei moço, não esta me escutando?
Até que eu inclinei a cabeça pra ver com quem a velhinha estava falando e me deparei com um MANEQUIM vestindo uma roupa daquelas de pessoal que fez detetização, com mascara e tudo.
>> Moço, moço, me de um pouco de café?
Eu não sabia onde enfiar a imensa vontade de rir de dentro de mim, até que ela falou pra mim:
>> Jovem, pede pra aquele moço se ele num tem um pouco de café, ele não esta me escutando!
Nessa hora o que fazer? Falar pra uma velha que ela esta conversando com um manequim e correr o risco de ela falar que você ta chamando ela de louca ali no meio da rua, ou realmente pedir um café pro manequim?? Nossa, que situação a minha!
>> Dona Dejanira, o moço esta trabalhando!
>> Mas pede um pouco de café pra ele!
>> Mas ele não pode vir aqui, olha lá, ele até esta de uniforme! Ahuhuahuahua, nossa, nessa hora eu mal conseguia me segurar, meus olhos lacrimejavam pra não rir...
>> É verdade, vamos então! - e ela colocou a mão no meu ombro e fomos....
Subimos mais algumas quadras, até que deixei ela na esquina da casona que ela dizia morar a tal japonesa, e voltei todo o caminho de volta ao ponto de ônibus... meio que rindo, não acreditando que aquilo havia acotecido, até a dor nas pernas já havia passado, quer dizer, na verdade, eu nem estava sentindo minhas pernas...
Bom, minha mãe e minha cunhada quase tiveram um troço de tanto rir quando cheguei em casa e contei o motivo do eu atraso de 2 horas pra chegar em casa, mas eu disse que depois dessa eu devo, pelo menos ter dado entrada no meu terreno lá no céu!!